quarta-feira, 22 de setembro de 2010

DONA ESPERANÇA

Dona Esperança tem 98 anos! E não se orgulha disso! Não tem mais amigo, não mais de sua idade. Já se foram seus irmãos, seu marido, primos, amigos e só ela foi ficando. Não teve filho, se bem que tentou, pois sempre gostou de crianças.

Dona Esperança tem uma saúde de ferro, sem nenhum dos problemas comuns na sua idade. E a mente? Faz palavras cruzadas como ninguém, não há nada que ela não saiba. Talvez isso a tenha ajudado ter uma cabeça tão boa.

Mas Dona Esperança não tem mais família, ou pelo menos, o que pode ser chamado de família. Restam poucos parentes; aqueles que não sabem o que fazer com uma "velha com mais de 90 anos". Mas não foi sempre assim. Enquanto Dona Esperança podia oferecer alguma coisa, todos queriam ficar com ela, todos eram bondosos com elas, até suportavam as rabugices dela. Mas aí, tudo que ela podia oferecer já tinha acabado, mas a Dona Esperança não!

Dona Esperança não morre, ela tem uma saúde de ferro. Ela possuia uma família, ela possuia dinheiro, ela possuia uma casa. Nada mais disso resta (apenas uma pequena pensão), mas a Dona Esperança não morre. Ninguém aguenta mais cuidar de Dona Esperança.

Finalmente, tomaram uma decisão. Dona Esperança vai morar com outros iguais a ela, com os que vivem demais, e não tem mais nada a oferecer. Ela agora é a mais nova moradora do asilo, de uma pequena cidade. Lá é muito bom..., ela vai ser bem cuidada..., vai ter companhia! É o que dizem!

Ela está lá, mas preferia estar entre os seus, seus mortos! Mas, a Esperança é a última que morre.

Na primeira oportunidade, vou visitar Dona Esperança, ela diz gostar muito de mim!